Diante de recentes especulações envolvendo seu nome, a Conectiva vem a público para esclarecer os fatos e colocar-se à disposição dos clientes, parceiros, fornecedores e jornalistas para elucidar eventuais dúvidas.
Sobre notícia de venda da empresa ou interrupção de suas atividades,
consideramos natural que uma empresa como a Conectiva, com capacitação tecnológica ímpar no desenvolvimento do Linux, seja constantemente procurada por investidores potenciais, interessados em participar acionariamente da empresa. Isso não significa, porém, que algum dos acionistas atuais se retire. O mais provável, nessa situação, é que a empresa faça um aumento de capital com redistribuição das participações entre os sócios atuais (ABN, Latintech e sócios fundadores) e eventuais novos sócios.
Ainda com relação a investimentos, a Conectiva, por sua vez, sempre
esteve aberta a novos investidores e sócios, até como forma de
consolidação e expansão de sua atuação. Que outra forma de
capitalização poderia buscar uma empresa nacional de tecnologia?
Sobre a adoção de software livre na administração pública federal e
sobre eventual monopólio da Conectiva no negócio, esclarecemos que
nunca foi nossa intenção monopolizar quaisquer setores - muito menos o público. Ninguém pode dizer que a Conectiva e o sistema operacional
Linux constituiriam um monopólio sucessor do monopólio atual do
Windows, até porque em Linux e nas plataformas abertas, não existe
vinculação obrigatória entre o fornecedor das plataformas e a empresa
responsável por suporte e manutenção. Além disso, o Conectiva Linux,
assim como qualquer outro produto baseado em software livre de código aberto não possui qualquer restrição de licença de uso, isto é, pode ser copiado e duplicado livremente. Essa é a essência do software
livre: independência de fornecedor e de tecnologias. Um dos propósitos
do Linux - e consequentemente da Conectiva - é ser uma alternativa ao
monopólio dos sistemas proprietários.
Paralelamente, qualquer aquisição pública depende de licitação. E uma
licitação com essa importância, certamente teria forte acompanhamento
de toda indústria de software. É importante ficar claro que a proposta
que o governo federal vem divulgando é procurar alternativas ao modelo atual. A Conectiva é percebida como uma dessas alternativas. Porém a empresa nunca foi ingênua a ponto de achar que o governo iria trocar tudo por Linux somente utilizando de seus produtos e serviços, muito menos em tão pouco tempo. Até porque os sistemas do governo federal hoje estão funcionando, embora a custos elevados de licenças e sem acesso aos códigos fontes.
Sobre a Conectiva Inc., empresa com a mesma estrutura acionária da
Conectiva S.A. e que tem sede nas Ilhas Virgens Britânicas, seu
objetivo é simplesmente permitir o aporte de recursos de outras
instituições na Conectiva. Ao mesmo tempo, essa organização facilita a
tramitação de contratos internacionais - como ocorrem em parcerias
importantes como a existente com a UnitedLinux e com grandes
fabricantes internacionais. É importante ressaltar que tudo que é
feito na empresa segue as regras estabelecidades em lei brasileira,
além de ser auditado pelo Banco Central e por auditoria independente,
e publicado nos balanços da Conectiva.
Planos para 2004
Com o objetivo de evitar que dúvidas se transformem em novos boatos, a empresa informa que, em 2004, vai direcionar seus esforços para aperfeiçoar o produto e consolidar a atividade de treinamento. Durante o ano, a Conectiva pretende afinar a sintonia com os grandes players de TI, para atender à forte demanda existente por serviços e software de código aberto.
Entre as principais ações previstas para 2004 estão o lançamento da
nova versão do Conectiva Linux, o Conectiva Linux 10, com inovações
tecnológicas como o kernel 2.6, e novas versões dos principais
componentes do sistema, como a interface gráfica KDE. A empresa também pretende ampliar e atualizar sua linha de treinamento, em função de diversos avanços tecnológicos apresentados pelo Linux e da explosão da demanda por cursos em Linux.
Nos serviços de projeto e implantação, a Conectiva vai priorizar as
parcerias com integradores e fabricantes. A intenção é associar sua
expertise tecnológica e experiência adquirida em inúmeros casos de
sucesso junto a usuários de variados portes dos mais diversos
segmentos de atividades, com a escala e capacidade de distribuição
dessas organizações.
Conscientes dos fatos apresentados acima e dos demais avanços
tecnológicos do Linux, empresas brasileiras, públicas e privadas,
expandem progressivamente o uso do software livre em seus parques de máquinas. E é justamente esse crescimento, aliado aos altos índices de satisfação dos usuários Linux e aos resultados de uma recente pesquisa da E-Consulting que aponta que 40% dos US$ 17 bilhões que serão gastos em TI no Brasil este ano estão destinados ao Linux, que tem incomodado alguns setores do mercado brasileiro.